GT 2: Conflitos, mobilizações e ativismos: etnografias das burocracias estatais e das políticas públicas em demandas por reconhecimento de direitos

Coordenação: Leonardo Vieira Silva (UFF) | María Victoria Pita (UBA) | Luciane Patrício Barbosa Martins (UFF)

Debatedores: Ana Paula Mendes de Miranda (UFF) e Frank Nilton Marcon (UFS).

O Grupo de Trabalho visa reunir pesquisas voltadas à análise de situações de conflito, processos de mobilização e intervenções de ativismos, bem como dos modos de produção de políticas públicas e das formas de administração de disputas relacionadas a demandas por direitos em diferentes contextos empíricos.

Temas ligados a direitos humanos, justiça, patrimônio, educação e juventudes ocupam lugar central nesta proposta, que focaliza os modos locais de gestão desenvolvidos por burocracias especializadas, com seus saberes e tecnologias próprias de governo, bem como as formas de mobilização, intervenção e ação coletiva dos atores nelas envolvidos. Da mesma forma, interessam pesquisas sobre os diversos repertórios argumentativos de ativismos, militâncias e distintos atores institucionais e coletivos, cujas práticas e narrativas podem contrastar com discursos universalizantes sobre direitos humanos.

Busca-se discutir como os descompassos entre demandas por reconhecimento de direitos e formas institucionais de administração de conflitos revelam dinâmicas de poder diferenciadas, de acordo com os diversos públicos envolvidos e suas distintas sensibilidades jurídicas.
Procura-se evitar análises estritamente institucionalistas do Estado e de seu funcionamento. Pelo contrário, busca-se destacar a diversidade de burocracias acionadas como expressões da “estatalidade” e, consequentemente, seus efeitos tanto na produção de identidades sociais e políticas quanto na constituição de grupos, memórias e identidades étnico-raciais, religiosas e de gênero, entre outras.

Nesse sentido, interessa observar diferentes tipos de ativismos — judiciais, estatais, profissionais e militantes — em suas interações, tensões e conflitos com burocracias estatais, bem como analisar como essas dinâmicas moldam as práticas sociais. Pretende-se também acolher pesquisas que abordem as múltiplas dimensões da administração pública: formulação e implementação de políticas, sistemas de registro de informações e produção de dados, bem como processos de formação de agentes estatais e políticos.

Por fim, convocam-se pesquisas que descrevam e analisem diferentes modalidades de ativismos e militâncias diante de diversas instituições e agências estatais e do Poder Judiciário. A proposta articula três linhas de pesquisa do InEAC e diferentes subprojetos conectados pela ênfase nos conflitos, nas mobilizações e nas práticas que atravessam as relações entre Estado, políticas públicas e reconhecimento de direitos.

Sessão 1 - 05/11 - 9h

ENTRE A FREQUÊNCIA E O ABANDONO: DADOS, CLASSIFICAÇÃO DE RISCO E ADMINISTRAÇÃO INSTITUCIONAL DA PERMANÊNCIA ESCOLAR NA REGIONAL METROPOLITANA II
Alexandre Magno de Souza Almeida

Queima de arquivos: da escravidão ao cárcere feminino e a gestão do esquecimento no Estado brasileiro
Amanda Gonçalves Prado Quaresma

Quando uma situação chega ao Ministério Público: percursos, classificações e possibilidades de intervenção
Fernando Henrique de FreitasSimões

Justiça além das fronteiras: A função do Sistema Interamericano de Direitos Humanos no combate ao racismo estrutural no Brasil
Lígia Fernanda Gomes Campos

Violencias Estatales y Activismo de Datos. Aproximación a una experiencia de relevamiento comunitario y colaborativo de prácticas policiales en barrios populares de la ciudad de Rosario
Eugenia Cozzi

Sessão 2 - 05/11 - 14h

A Cidade na Encruzilhada: Múltiplos Caminhos e Saberes na Cerimônia Pública do Padê de Exu em Aracaju/SE
Ulisses Neves Rafael – Ana Paula Mendes de Miranda

A vida não cabe no nome: Estado, cultura e experiências negras em Sergipe
Mesalas Ferreira Santos

Fazer-se na Cidade, Experiências Negras no Trabalho Informal e nas Disputas por Direitos em Aracaju, Sergipe
João Mouzart de Oliveira Junior – Alessandra Santos da Graça

“As nossas coisas que estão nas mãos da polícia”: escuta e documentação do Grupo de Gestão Compartilhada
Mariana Maiara Soares Silva

Sessão 3 - 06/11 - 9h

Entre lutas e deslocamento: a existência do Asé Ilę Yamin através da resistência de Mãe Regina Bangbosé
Marcelo Raimundo Junior

O Oxê de Xangô no Rio de Janeiro e as múltiplas formas de políticas de terreiro
Bruna Russel Salvador

O Terreiro como Arena Política: dispositivos de regulação estatal e mobilização de povos de terreiro em Volta Redonda (RJ)
Mariana Magno Lessa Ribeiro

Articulação política e representação: a luta dos praticantes de religiões de matriz africana no Vale do Paraíba Paulista
Luciano Lombardi Puccini Junior

A Casa de Obaluaê: as estratégias de mobilização para garantir o direito do território do Terreiro da Casa Branca
Giulia Lyra Oliveira

Sessão 4 - 06/11- 14h

Cannabis, fuerzas de seguridad y activismo: un análisis de experiencias de capacitación sobre usos terapéutico-medicinales de la planta en Argentina
Florencia Corbelle – Yuri José de Paula Motta

Museos de las burocracias penales. Ensayo de lectura de un museo forense o una historia a contrapelo de los sectores populares
María Victoria Pita

Associações canábicas como tecnologias sociais e o Mapa Colaborativo Cannabis
João Luiz Rodrigues Bastos Pinto – Daniel do Nascimento Domingues – Mariana de Freitas Mascarenhas e Souza

Quando o campo desloca o olhar: reflexividade e produção do conhecimento antropológico
Laís Lara de Oliveira Pereira – Olivia Yumi Caldi Magalhães

Experiências negras e quilombolas: entre a Licenciatura Quilombola e a disciplina Antropologias Negras na UFS
Alessandra Santos da Graça – João Mouzart de Oliveira Junior

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